Introdução
Vivenciamos um superciclo tecnológico; uma onda de inovação continua, amplamente difundida que está remodelando a estrutura de como pensamos e agimos. Segundo a explicação
“O último superciclo de tecnologia que aconteceu foi a revolução industrial. Mas, diferente da revolução industrial, são três tecnologias de uso geral que estão nesse superciclo” ( Amy Webb).
Para entender melhor o impacto desse superciclo tecnológico, é importante explorar as três tecnologias de uso geral: inteligência artificial, biotecnologia e dispositivos interligados. Cada uma dessas tecnologias está desempenhando um papel na transformação digital e na maneira como interagimos com o mundo ao nosso redor.
A inteligência artificial (IA) é uma tecnologia que permite que máquinas e sistemas realizem tarefas que normalmente requerem inteligência humana, como reconhecimento de fala, tomada de decisão e tradução de idiomas. A biotecnologia envolve a manipulação de organismos vivos ou seus componentes para desenvolver produtos úteis, como medicamentos e culturas geneticamente modificadas. Os dispositivos interligados, também conhecidos como Internet das Coisas (IoT), referem-se a uma rede de dispositivos físicos que se comunicam e trocam dados entre si através da internet.
Comparando com as tecnologias da revolução industrial, que incluíam a máquina a vapor, a eletricidade e a produção em massa, as tecnologias atuais são mais integradas e interdependentes. Enquanto a revolução industrial transformou a produção e a manufatura, o superciclo atual está transformando a forma como interagimos com o mundo digital e físico. A IA, por exemplo, está sendo usada para otimizar processos de produção, melhorar a eficiência energética e desenvolver novos produtos. A biotecnologia está revolucionando a medicina e a agricultura, enquanto os dispositivos interligados estão criando um ambiente mais conectado e inteligente.
Outra característica importante nestas tecnologias, são as PESSOAS. Este é um aspecto importante a ser observado! Pessoas é o PORQUÊ dessas três tecnologias de serem representativas; impactam diretamente na forma que entendemos, interagimos, relacionamos e somos beneficiados com estes novos recursos.
Na saúde, a IA e a biotecnologia estão transformando o diagnóstico e o tratamento de doenças, oferecendo soluções mais precisas e personalizadas.
Na vida cotidiana, os dispositivos interligados estão tornando as casas e cidades mais inteligentes e eficientes, melhorando a qualidade de vida.
É importante considerar também os desafios e implicações éticas dessas tecnologias, como a privacidade dos dados e a necessidade de uma governança responsável para garantir que os benefícios sejam amplamente distribuídos e que os riscos sejam mitigados.
Sobre esta perspectiva, empresas, governos e as organizações civis necessitam de investimento em uma governança profissional de IA. Este investimento não é motivado por ser algo novo a ser controlado; trata-se da importância de seu impacto neste super ciclo, na nossa sociedade e no potencial para mudar a forma que a conhecemos o mundo hoje.
O que vem a ser esta transformação e qual a sua relação com a governança profissional de IA?
Transformação digital
Transformação digital não é apenas sobre tecnologia; trata-se de como a tecnologia é utilizada e como ela impacta na nossa sociedade, nos nossos hábitos e comportamentos, ou seja, como nos relacionamos com toda essa transformação. As tecnologias digitais habilitam ferramentas para uma profunda transformação na atuação de governos, sociedade civil e na competitividade e produtividade das empresas, assim como na capacitação e na participação inclusiva da sociedade, criando as condições para que todos possam prosperar.
A economia vem passando por uma transformação pautada em dados. O volume de dados vem crescendo em proporções cada vez maiores. Este crescimento exponencial vem exigindo tecnologias mais robustas, com capacidade computacionais e de armazenamentos cada vez mais significativos. Para lidar com esse crescimento exponencial de dados, várias tecnologias robustas estão sendo utilizadas.
Uma dessas tecnologias é o Big Data, que permite a análise e o processamento de grandes volumes de dados em tempo real. Big Data fornece a base de dados necessária para que a Inteligência Artificial (IA) possa operar de maneira eficaz. A IA, por sua vez, melhora a qualidade dos dados e automatiza processos complexos. Algoritmos de IA podem ser usados para detectar padrões em grandes conjuntos de dados, prever tendências futuras e tomar decisões informadas.
Enquanto o Big Data coleta e organiza enormes quantidades de dados de diversas fontes, a IA pode analisar esses dados para identificar insights valiosos e automatizar ações baseadas nesses insights. Essa sinergia entre Big Data e IA permite que as empresas não apenas compreendam melhor seus dados, mas também utilizem essas informações para otimizar operações, personalizar experiências para os clientes e inovar em seus produtos e serviço.
Uma outra tecnologia é a Internet das Coisas (IoT). Esta tecnologia está contribuindo para o crescimento de dados, conectando dispositivos e sensores que geram grandes volumes de informações com sensores inteligentes e redes de comunicação, permitem a coleta e análise de dados em tempo real, melhorando a eficiência operacional e a tomada de decisões em diversos setores, como manufatura, agricultura e cidades inteligentes.
Segundo a McKinsey, a adoção de inteligência artificial (IA) e advanced analytics (AA) tem o potencial de liberar um valor anual de cerca de $0,6 a 1 trilhão em ganhos de produtividade na América Latina. Estimativas da OCDE mostram que empresas que se baseiam em data analytics ampliam a produtividade entre 5% e 10% em comparação àquelas que não o fazem. Estas estimativas de ganhos e produtividade não dependem apenas da utilização de dados e análises, mas de outros fatores, tais como habilidades relacionadas à análise e gestão de dados, processos inovadores e especificidades do setor de atuação.
A maneira que as instituições pensam nesta transformação é um indicador do quando a inovação estará presente no seu dia a dia. As instituições inovadoras deixaram de questionar como suas aplicações e elementos estruturantes vão estar e serem executados para se perguntarem como a transformação digital pode criar ambientes, processos e uso eficiente de tecnologias para as suas necessidades de negócio e o bem-estar das pessoas.
Os principais desafios em uma transformação digital se baseiam em cinco pilares interdependentes, que juntos formam a base para uma transformação bem-sucedida:
Entendimento e uso consciente e sustentável de dados: Este pilar envolve a classificação e unificação de dados em fluxos inteligentes para gerar insights em tempo real, reduzindo custos e elevando a eficiência operacional. Por exemplo, uma empresa pode usar Big Data para coletar e organizar dados de diversas fontes, enquanto a IA analisa esses dados para identificar padrões e prever tendências futuras.
Infraestrutura Tecnológica robusta e resiliente: Uma infraestrutura robusta é essencial para suportar o processamento e armazenamento de grandes volumes de dados. Ela deve ser segura, flexível e capaz de se adaptar às necessidades e variações do mercado. Por exemplo, uma infraestrutura tecnológica bem projetada pode suportar a implementação de sistemas de IA e IoT, permitindo a coleta e análise de dados em tempo real.
Segurança Digital: Em um ambiente de constantes mudanças e centrado em dados, a proteção digital é fundamental para a continuidade dos negócios e a preservação das informações pessoais e transacionais. A segurança digital garante que os dados coletados e analisados sejam protegidos contra acessos não autorizados e ciberataques.
Locais de trabalhos híbridos e propícios para a inovação: A transformação digital também envolve a criação de ambientes de trabalho que incentivem a colaboração e a inovação. Isso inclui a implementação de tecnologias que facilitem o trabalho remoto e a comunicação digital, bem como a criação de espaços físicos que promovam a interação e a troca de ideias.
Sustentabilidade: A transformação digital deve ser sustentável, buscando o equilíbrio entre inovação e eficiência contínua. Isso inclui a adoção de práticas que minimizem o impacto ambiental e promovam a responsabilidade social. Por exemplo, a utilização de tecnologias como Big Data e IA pode ajudar as empresas a monitorar e reduzir seu consumo de energia, contribuindo para a sustentabilidade ambiental.
Esses pilares não funcionam isoladamente; eles se complementam e se reforçam mutuamente. Por exemplo, uma infraestrutura tecnológica robusta e resiliente é necessária para suportar a coleta e análise de dados em tempo real, enquanto a segurança digital garante que esses dados sejam protegidos. Da mesma forma, a criação de locais de trabalho híbridos e propícios para a inovação depende da implementação de tecnologias que facilitem a colaboração e a comunicação digital. Além disso, a sustentabilidade deve ser considerada em todas as etapas da transformação digital, desde a coleta de dados até a implementação de novas tecnologias.
Finalmente, todos os elementos de uma transformação digital sofrem influência direta quando impulsionados pela inteligência artificial, impactando diretamente as pessoas, processos e serviços essenciais para que qualquer negócio.
Com todas estas considerações, uma governança de IA responsável e profissional é um requisito importante e se faz necessário, mas o que vem a ser ela?
Governança profissional de IA
Antes de falar sobre a governança de IA, gostaria de esclarecer alguns fundamentos do que vai ser governado, pois isso me parece sensato. O termo Inteligência artificial, ou simplesmente IA, foi cunhado em 1956 em uma conferência na universidade Dartmouth em Hanover, Estados Unidos. Este evento marcou o início das pesquisas unificadas como disciplina de IA, algumas das quais influenciam o desenvolvimento de IA até hoje.
Muitas vezes o termo IA pode ser pouco confuso e levar a interpretações errôneas. Vejamos a definição isolada de “inteligência”:
“A inteligência é um conjunto de características intelectuais que permitem a um indivíduo conhecer, compreender, raciocinar, pensar e interpretar. A palavra ” tem origem no latim e seu significado original do termo faz referência à capacidade de escolha de um indivíduo entre várias possibilidades ou opções.”
A inteligência não é algo único e universal, pode ser classificada por contextos como: linguística, lógica, espacial, musical e emocional, ente outras. Cada contexto por sua vez envolve habilidades específicas para poder se fazer as escolhas e avalias as possibilidades. A inteligência artificial por sua vez pode simular certos aspectos da inteligência humana, mas não é verdadeiramente inteligente porque não possui autoconsciência ou compreensão emocional e principalmente por não ser individual.
A individualidade é uma característica humana que nos torna exclusivos e únicos em nossas escolhas. Mesmo que duas pessoas sejam submetidas às mesmas experiências, as mesmas fontes de conhecimento e aos mesmos valores, elas poderão fazer escolhas e análises semelhantes, mas dificilmente iguais. Quando ampliamos nosso contexto para milhares de pessoas submetidas a condições e conhecimentos diferentes, passamos a ter uma diversidade de escolhas e análises cada vez mais abrangentes e muitas vezes conflitantes, inclusive em valores éticos e sociais.
Sobre este prisma, a IA também não pode ser considerada eticamente segura, pois para ser capaz de simular inteligência, é necessário técnicas de treinamento com dados gerados por humanos ou sensores, e com isso possa responder a eventos e estímulos.
A IA pode ser configurada para não executar seu algoritmo para determinadas condições e contexto, porém estes “guardrails” partem de uma cadeia de valores definidas por uma determinada sociedade e dentro da linha de tempo atualizada, ou seja, valores e condições praticados no passado não são relevantes para as definições atuais. Um exemplo quase universal para este cenário é a escravidão; em determinado período da história foi um valor eticamente aceito em muitas sociedades.
Com isso, chegamos também a uma reflexão e a outro fundamento sobre IA:
“Nós, como seres humanos, estamos criando nossos algoritmos de IA, portanto, nossos algoritmos de IA herdam quaisquer preconceitos que possamos ter.” (Carl E. Mathis, CIPP/E, CIPP/US, CIPM, CIPT, Privacy Architect, Privacy Engineering Center of Excellence, HP).
Comparando os usos de IA, chegamos a alguns elementos que são comuns:
- Tecnologia: seu uso para atingir objetivos específicos.
- Autonomia: Nível de autonomia do uso da tecnologia para atingir objetivos previamente definidos.
- Envolvimento Humano: Necessidade de contribuição humana para treinar a tecnologia e identificar os objetivos a serem seguidos.
- Saída/Resultados: Produz resultados com a tecnologia como executar tarefas, resolver problemas, produzir conteúdo.
Essas considerações sobre a natureza da inteligência e da inteligência artificial destacam a complexidade e os desafios éticos envolvidos no desenvolvimento e uso da IA. Diante disso, torna-se evidente a necessidade de uma governança profissional de IA para garantir que a tecnologia seja utilizada de maneira ética e responsável. Sendo assim, a governança profissional de IA refere-se ao conjunto de políticas, procedimentos e frameworks que orientam o desenvolvimento, a implementação e o uso da inteligência artificial de maneira ética e responsável.
Isso inclui a definição de princípios éticos, a criação de comitês de revisão diversificados e a implementação de práticas de transparência e responsabilidade. A governança de IA é essencial para garantir que a tecnologia seja utilizada de forma justa e benéfica, minimizando os riscos de vieses e impactos negativos.
Para empresas, a governança de IA traz ganhos significados para manter a confiança dos clientes e parceiros, além de assegurar a conformidade com regulamentações e padrões éticos. Uma governança eficaz pode ajudar as empresas a evitar problemas legais e reputacionais, além de promover uma inovação responsável. Governos, por sua vez, precisam de uma governança de IA para proteger os direitos dos cidadãos e garantir que a tecnologia seja utilizada para o bem público. Isso inclui a criação de políticas que promovam a transparência, a equidade e a inclusão.
As organizações civis também se beneficiam da governança de IA, pois ela permite que a tecnologia seja utilizada para promover o bem-estar social e enfrentar desafios globais, como a desigualdade e as mudanças climáticas. A governança de IA pode ajudar essas organizações a maximizar o impacto positivo de suas iniciativas, garantindo que a tecnologia seja utilizada de maneira ética e responsável.
A implementação de governança de IA exige um planejamento completo e treinamento adequado para todos os colaboradores. A adoção de IA impacta diretamente tanto os funcionários quanto a maneira como os clientes interagem com produtos e serviços. Uma postura de responsabilidade pelos recursos e benefícios oferecidos deve ser um dos valores a ser adotado por todos e pela organização. Em vários países e continentes esta governança sem sendo evoluída e sendo criado regulatórios para sua utilização. Ter uma visão mais abrangente destes movimentos é uma forma estratégica de antecipar e se adequar as regulações garantindo uma continuidade e evolução da adoção de IA dentro dos valores e necessidades da sua organização.
Atualmente, a tecnologia de IA avança mais rápido que as leis e regulamentos existentes. Implementar uma política interna de revisão constante para garantir que o uso da IA esteja alinhado a um contexto ético ajudará a promover soluções que em conformidade com as regulamentações vigentes, evitando conflitos com regulamentações ou expectativas futuras.
Conclusão
A transformação digital e a governança profissional de IA são pilares interdependentes. Quando implementos em conjunto são complementares e impulsionam o sucesso das organizações na era digital. A adoção de IA por fornecedores de produtos e serviços pode acelerar significativamente a transformação digital das empresas. A IA permite a automação de processos complexos, a análise de grandes volumes de dados em tempo real e a personalização de experiências para os clientes.
Algoritmos de IA podem ser usados para detectar padrões em grandes conjuntos de dados, prever tendências futuras e tomar decisões informadas. Isso não apenas melhora a eficiência operacional, mas também permite que as empresas ofereçam produtos e serviços mais inovadores e personalizados. Além disso, a IA pode otimizar processos de produção, melhorar a eficiência energética e desenvolver novos produtos. Embora a adoção de IA por fornecedores de produtos e serviços traga inúmeros benefícios, é necessário considerar algumas implicações para garantir que a tecnologia seja implementada de maneira ética e responsável.
Em resumo, a governança profissional de IA é fundamental para garantir que a inteligência artificial seja desenvolvida e utilizada de forma ética, transparente e responsável, beneficiando empresas, governos e a sociedade como um todo principalmente em um ambiente de transformação digital.
É importante avaliar a transparência e a responsabilidade dos fornecedores em relação ao uso da IA. Isso inclui a definição de princípios éticos, e revisão e a implementação de práticas de transparência junto a estes fornecedores.
Além disso, é essencial garantir que os fornecedores tenham políticas robustas de segurança digital para proteger os dados pessoais e transacionais. Esses cuidados permitem que os profissionais e colaboradores se concentrem em atividades estratégicas e de maior valor agregado.
Tenham um excelente dia! Eu sou Fernando Cerqueira e entrego estratégias digitais para os desafios do presente, com propostas de inovação para um futuro sustentável.






