Talvez esteja faltando colocamos a IA no divã do psicanalista. Calma ! explico melhor, é um devaneio mas não surtei ainda…
As preocupações com ética, transparência, imparcialidade e vises são recorrentes em quase todos os artigos e referência a Inteligência Artificial que ando lendo.
Todas as preocupações quanto a evolução é uso da IA, além do obvio impacto na sociedade e nas relações humanas /empresariais, recaem em entender e analisar comportamento de máquinas e seus algoritmos, na busca de resultados mais éticos e transparentes auxiliando nas interações da máquina com humanos.
Podemos estar na realidade buscando no funcionamento da IA atos falhos, objetos e relações objetais, de forma inconsciente para nossos desejos e relações, semelhante as teorias psicanalíticas de vários de seus pensadores e sobre o autoconhecimento nas relações humanas.
A interpretação de Lacan de inconsciente como uma linguagem, para explicar as nossas relações com o mundo exterior, me leva ao devaneio de tentar estabelecer um paralelo entre a revolução uso da IA e suas consequências com o conceito lacaniano “fase do espelho”.
Neste devaneio a nossa sociedade é o bebê onde ainda não tem controle do seu corpo e sem autonomia, é ajudada por um adulto e se depara com um espelho. Ao final deste processo o bebê se percebe como um ser inteiro e integrado, desencadeando uma busca de sua identidade frente a esta nova realidade.
A IA e seus algoritmos podem estar respondendo ao desejo humano de identificação, influenciado pela programação de seus idealizadores e na ingestão de dados, projetando a busca constante de identificação, refletindo o trabalho de Lacan na “fase do espelho”.
Ao tentarmos buscar uma IA 100% ética , transparente e sem vieses, estamos na realidade expressando nosso desejo de resolver nossos conflitos inconscientes frente as nossas relações ao mundo externo, por meio de algoritmos com capacidade de interpretar contextos multimodal (Texto, imagens e sons).
Talvez precisemos colocar a IA no divã do psicanalista, incluindo em seus algoritmos os conflitos internos para obtermos resultado “mais humanos” .
A busca por resultados 100% transparentes éticos e sem vieses se contradiz com a nossa realidade e humanidade. Este entendimento pode nos levar a encontrar resultados mais realista com as nossas necessidades e particularidades, refletindo a complexidade multifacetada dos problemas que desejamos resolver.
A inclusão do conhecimento psicanalítico ao analisar os resultados gerados por IA, bem como na da ingestão de dados , partindo da premissa que refletem conflitos da psique humana e consequentemente traz uma parcela do nosso inconsciente ao contexto, pode prover soluções mais inteligentes e mais adequadas , sabendo-se que sempre será :
Parcialmente ético, translucido e carregado de um viés que representa nossos valores enquanto sociedade.
Tenham um excelente dia! Eu sou Fernando Cerqueira e entrego estratégias digitais para os desafios do presente, com propostas de inovação para um futuro sustentável.






