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IA : Uma sociedade colocada em xeque. “Governando IA para o bem e para todos”

A motivação deste artigo “nasceu” da reflexão sobre o vídeo abaixo (Um robô bípede sendo chutado empurrado em um evento na Ásia).

Vídeo : https://www.youtube.com/watch?v=nJoVl-og42M

Você sente algum sentimento de desconforto assistindo o vídeo? Por quê ?  Convido você a me acompanhar nesta pequena jornada de reflexão , tomando como base a revolução industrial , sua evolução , chegando até o tema do evento WAIC 2024 (que ocorreu em Shangai semana passada) e finalmente respondendo à pergunta inicial.

O Início : A revolução industrial

A revolução industrial vem moldando o mundo como o conhecemos.

A primeira fase foi marcada pela mecanização e substituição do trabalho artesanal pelo assalariado, com uso de máquinas.

A segunda fase se deu pelas alterações dos processos de produção e surgimento de novos modelos organizacionais , principalmente na indústria, focadas na eficiência e racionalização do trabalho.

A terceira fase caracterizou-se por avanços tecnológicos em diversos campos do conhecimento como robótica, genética, energia, informática e telecomunicações, automatizando e informatizando todos os processos.

A quarta fase embora seja descrita como a convergência de tecnologias digitais, físicas e biológicas , é mais que uma fase da revolução industrial, é uma grande ruptura dos ciclos evolutivos anteriores, pela seguinte razão (visão pessoal):

As convergência citadas não é apenas uma fase evolutiva da revolução que se iniciou a partir da segunda metade do século XVIII. As evoluções da primeira até a terceira fase precisaram de aproximadamente 350 anos, permitindo uma adaptabilidade razoável nas indústrias , organizações e regras e costumes da sociedade.

A revolução em curso neste últimos 10 anos e em especial nos últimos 3 anos, em ritmo exponencial , está demostrando a necessidade de mudar todos os modelos já desenvolvidos, tendo impactos profundos em toda as indústrias e camadas da sociedade. Este “super-ciclo” vem exigindo constantes mudanças de comportamento, gestão organizacional e novas capacidades de aprendizados.

Estes fatores juntos, em intervalos cada vez menores, impactam a sociedade que, sem o devido tempo necessário para os ajustes e absorção, causam rupturas de comportamento e valores.

O Impacto na sociedade

Cada fase causou impactos nas formas que nos relacionamos e nos organizamos socialmente.

Na primeira fase (+/- 180 anos de duração) com o uso de máquinas e a necessidade de especializações, trabalhadores passaram a desempenhar tarefas mais específicas.

As especializações geraram um aumento de produtividade e o êxodo rural foi intensificado, acelerando o crescimento das cidades e sua urbanização. Com uma migração intensificada a economia e novos serviços foram criados com novas relações de trabalho. O consumo e lazer foram afetados para atender a este cenário.

Na segunda fase (+/- 120 anos de duração) foi marcada pela aceleração da indústria gerando impactos significados no meio ambiente com processos de consumo de bens e serviços em massa. Devido a automação houve desempregos estruturais.

A concentração de riquezas aumenta e motiva lutas sociais e direitos trabalhistas. Por sua vez as inovações tecnológicas como telefone, rádio e aviação iniciaram uma grande transformação, mudando a forma que nos comunicamos e facilitando novas experiências sociais.

Na terceira fase (+/- 70 anos de duração) caracteriza-se pela aceleração das relações globais, impulsionada por computadores e internet, redesenhado a gestão de informações e comunicação. A economia passa a ter integração global e afeta toda cadeias de suprimentos e serviços.

Novas categorias e novas especializações foram criadas em todas as áreas. As preocupações sociais foram ampliadas para conceitos globais. A facilidade de comunicação pela internet possibilitou uma troca nunca vista de informações e cultura. O imediatismo é fortalecido pelas facilidades tecnológicas.

Muitas das lutas sociais e vários direitos e regras sociais, ambientais e trabalhistas foram consolidadas e evoluídas. A diversidade ganha força e novas necessidades de convívio são introduzidas gerando nova fricção em todas as camadas sociais, ampliando os conflitos de comportamento.

Na quarta fase (+/- 10 anos – Em Curso) as mídias sociais se transformam no principal meio de comunicação global ampliando as pluralidades de ideias por meios de grupos e rede de relacionamentos. Grupos com vieses de confirmação potencializam ideias mais radicais.

Preocupações com o trabalho e saúde mental crescem em relevância. A privacidade e segurança cibernética ganha foco com desafios éticos e legais.

A Inteligência artificial entra em cena acelerando ainda mais a transformação digital e alterando as relação com os processos e tomada de decisões.

Começam a surgir movimentos de controle da evolução tecnológica e uso de tecnologias que afetam a percepção e manipulação das informações. Os avanços em biologia com uso de IA levantam questões morais e aumentam as expectativas de vida global com novos medicamentos e sequenciamentos de DNA.

Governando IA para o bem e para todos

Ao discorrer a evolução histórica da revolução industrial em todas suas fases fica claro uma aceleração em cada ciclo. O Impacto desta redução afeta diretamente a capacidade da sociedade em resolver e se adaptar as mudanças.


A Inteligência artificial deixa de ser apenas um elemento tecnológico que afeta a produtividade nas empresas e indústrias. Passar a ser um agente ativo e interativo na nossa sociedade.


A sociedade está sendo colocada em xeque, desafiada a testar sua validade, credibilidade e eficácia e como representante de sua principal característica : Adaptabilidade ao ambiente e as suas mudanças.

Ao assumirmos o fato inequívoco da convivência e interação com um novo elemento que afetam nossas relações, poderemos avançar no entendimento de soluções e necessidades e formas de utilização da IA para estruturar os desafios desta relação homem-máquinas.

Discutir como vamos prover condições de sustentabilidade do meio ambiente para atender a múltiplas gerações ativas e consumidoras de produtos e serviços é um grande desafio. O aumento da expectativa de vida com os avanços no campo de biotecnologia e a redução de tarefas complexas auxiliadas por processos de inteligência artificial a sociedade tende a ter mais tempo útil por mais tempo, unificando mais de uma geração.

As propostas de reduções de jornada de trabalho e a descentralização do local de trabalho , mesmo que tenha sido impulsionada pela pandemia , indicam movimentos para acomodar tais mudanças.

Governar a IA para o bem e para todos, é uma proposta de reflexão de como poderemos nos adaptar a este cenário único de mudanças morais , éticas , econômicas e sociais.

Equilibrar as decisões de sustentar o presente e pavimentar o futuro , futuro este, que esta “logo ali” medido em anos e não em décadas, nos impõem a decisão de voltar os olhos para o que nos difere como humanos, reforçando o esforço criativo e global em criar máquinas e soluções que apontem para nossas semelhanças como sociedade.

Justificando o Vídeo e a empatia

O antropomorfismo é uma forma de pensamento que atribui características ou aspectos humanos a animais, elementos da natureza ou como neste vídeo a um máquina que não possui emoções , feito de engrenagens, sensores e um algoritmo inteligente.  Este tipo de pensamento justifica a criação de formas robóticas mais aceitáveis para interação com humanos e por meio de associações, criam empatia e pode gerar sentimentos diversos.

O ato de andar é na realidade o ato de cair com naturalidade, com movimentos sincronizados mantendo a postura ereta e mantendo o conforto estrutural do corpo. Quando vemos o robô sendo empurrado , caindo e levantando somos remetidos a nossa infância quando estávamos aprendendo a andar , caindo, se machucando e se levantando novamente, criando assim uma conexão afetiva.

Devemos criar regras para o convívio com robôs? São apenas máquinas incapazes de entender sentimentos ?

Respondendo à pergunta sim devemos! Não pelas máquinas, mas por nossa humanidade. Para não deixar que a repetição de ações, aparentemente sem valor e inofensivas, transbordem para interações humanas ricas que conectam sentimentos. Os robôs podem até simular sentimentos mas não podem compreender as nuances de uma manifestação afetiva, mesmo que por associação.


Somos reflexo de nossos ações, iremos conviver cada vez mais com modelos antropomorfos e a sua presença não nos representa, mas a forma que nos relacionamos com todas as transformações em curso e novos modelos é o que nos define como humanos, únicos e impossíveis de replicar.


Conclusão

Somos uma geração privilegiada. Estamos vivenciando uma revolução tecnológica e de costumes que irá impactar em todas as áreas de conhecimento. Como vamos resolver os diversos problemas que esta revolução nos trará não sei responder, mas certamente as soluções passarão por um tema central.

Empresa , gestores e governos já perceberam que grandes mudanças estão por vir e em todas as previsões até pouco tempo existia um elemento comum : Pessoas. Com a evolução acelerada em curso, um novo elemento passou a fazer parte da equação sem substituir o anterior, mudando o tema central para: Pessoas + IA.


Tenham um excelente dia! Eu sou Fernando Cerqueira e entrego estratégias digitais para os desafios do presente, com propostas de inovação para um futuro sustentável.

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Fernando Cerqueira

Eu sou Fernando Cerqueira e entrego estratégias digitais para os desafios do presente, com propostas de inovação para um futuro sustentável. Como arquiteto sênior, aproveito meus mais de 20 anos de experiência em arquitetura e desenvolvimento de software para projetar e implementar soluções baseadas em nuvem que ajudam os clientes a transformar seus negócios com tecnologia.

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Fernando Cerqueira | Arquiteto Corporativo

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